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Urbanismo, Crítica e Arquitetura



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O projeto na crise de representação:
A renovação urbana do centro de Ivry-sur-Seine

The project in the crisis of representation: The urban renewal of the center of Ivry-sur-Seine

ORG:
︎ cauê capillé 
︎ andré cavendish
︎ fernanda bravo
︎ larissa monteiro
︎ mariana cruz
Projeto/Project:
︎ Arquitetura comum

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Palestra para a série de seminários Arquitetura comum na condição de interior

Palestra por VANESSA GROSSMAN
Em conversa com CAUÊ CAPILLÉ


FORMULÁRIO PARA INSCRIÇÃO NA PALESTRA 

Resumo:
Atitudes marxistas em relação à transformação social e à ação histórica dominaram a conversa no seio da esquerda francesa desde 1945, e tiveram um papel importante na formação de debates políticos e culturais. Entretanto, estes ideais e linguagem compartilhados também tiveram um efeito concreto no ambiente construído: eles permitiram que arquitetos e urbanistas colaborassem com lideranças políticas, prefeitos e funcionários públicos afiliados ao Partido comunista francês (PCF) em torno da ideia de “cidade” como um projeto comum, encarnando tanto um meio de pensamento utópico, quanto uma unidade de governança e design. Como o campo de ação mais eficaz do comunismo francês foi, e ainda é, o nível municipal de governo, esses arquitetos ajudaram a programar cidades em torno de um estilo de vida comunista particular, e a afirmar a centralidade na vida cultural francesa do pós-guerra do PCF, que foi o principal partido comunista ocidental no século XX, ao lado do italiano.

Esta palestra abordará o projeto de renovação urbana que Renée Gailhoustet, uma das únicas mulheres arquitetas de sua geração, concebeu com Jean Renaudie para o centro histórico da cidade de Ivry-sur-Seine, um dos bastiões da chamada banlieue rouge [cinturão vermelho] parisiense, considerada como a “capital do comunismo francês.” Previsto para modernizar um tecido urbano decadente, o projeto traduziu a intenção de combinar, de modo tridimensional, elementos constituintes da cidade. Torres habitacionais e megaestruturas de uso misto de concreto armado, ligadas por estruturas piramidais definindo terraços verdes – ou “ecológicos” avant la lettre – atenuaram em Ivry os limites entre público e privado. Incorporando as lições das experiências arquitetônicas coloniais francesas e as novas reivindicações de democracia participativa e autogestão, a renovação urbana de Ivry durou quase 25 anos, abrangendo o período anterior e posterior ao movimento de maio de 1968 e os desafios então decorrentes, quando a crise de representação da classe trabalhadora criou uma cisão entre arquitetos e líderes comunistas. Os projetos de Gailhoustet e Renaudie para Ivry ecoaram a mentalidade geopolítica do fim da Guerra Fria, na qual o mundo, a cidade, e a sociedade em geral passaram a se organizar através de diferentes pólos ou grupos, o que definiu uma espécie de ultimato para o comunismo.



Sobre Vanessa Grossman: Vanessa Grossman é professora na Faculty of Architecture and the Built Environment da Delft University of Technology (TU Delft). Grossman é uma arquiteta, historiadora da arquitetura moderna e contemporânea, e curadora cuja pesquisa se concentra nas interseções da arquitetura com ideologia, poder e a governança, com um foco especial nas práticas globais da era da Guerra Fria na Europa e na América Latina. Seu próximo livro examina as iniciativas arquitetônicas e urbanísticas que foram significativamente tomadas quando o Partido Comunista Francês (PCF) se tornou, na Quinta República, o patrono de projetos, discursos e esforços organizacionais de um círculo distinto de arquitetos modernos, que encontraram seu terreno mais fértil nas periferias industriais das principais cidades da França, a banlieue.

Grossman foi curadora assistente, junto a Jean-Louis Cohen, de La Modernité, promesse ou menace?, o Pavilhão da França na 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza (2014), que recebeu uma menção especial do júri. Com Cohen ela também foi co-curadora de Une architecture de l’engagement: L’AUA (1960-85) na Cité de l’architecture et du patrimoine em Paris (2015-16). Grossman foi co-curadora, com Ciro Miguel e Charlotte Malterre-Barthes, da 12ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, intitulada Todo dia (2019).

Grossman publicou em diferentes volumes editados e periódicos no mundo todo, incluindo a AMC, L’Architecture d’aujourd’hui, archithese, Area: rivista di architettura e arti del progetto, Contravento, Delphi, Pidgin, Volume,werk, bauen + wohnen, bem como uma série de livros, inculindo os co-autorados Everyday: A Discreet Power in Architecture (Ruby Press/Graham Foundation, 2021); Oscar Niemeyer, un exil créatif(Éditions du patrimoine, 2020); AUA, une architecture de l’engagement, 1960-1985 (Éditions Dominique Carré/Cité de l’architecture et du patrimoine, 2015), e La modernité, promesse ou menace ? France 101 bâtiments 1914-2014 (Éditions Dominique Carré/Institut français, 2014). Ela é também organizadora do livro Architecture de Parti.

Oscar Niemeyer à Fabien (1965-1980) (Dominique Carré Éditeur, 2021), e autora da introdução ao Mini-manuel du guérillero urbainde Carlos Marighella (Editions B2, 2014), de Le PCF a changé! Niemeyer et le siège du Parti communiste (1966-1981) (Éditions B2, 2013), e de A arquitetura e o urbanismo revisitados pela Internacional situacionista(Annablume/FAPESP, 2006), que recebeu o 8º Prêmio Jovens Arquitetos (Categoria Ensaios Críticos) do Departamento de São Paulo do Instituto de Arquitetos do Brasil (2007). Grossman recebeu ainda o Carter Manny Award for doctoral dissertation writing da Graham Foundation for Advanced Studies in the Fine Arts, e o Chateaubriand Fellowship in Humanities and Social Sciences da Embaixada da França nos Estados Unidos, assim como outras bolsas da Graham Foundation, do Canadian Centre for Architecture, do Swiss Federal Institute of Technology in Zurich (ETH Zürich), do Institut français, do Princeton University Program in Latin American Studies, da Région Île de France, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e da Fundação Gastão Vidigal de Estudos Econômicos, dentre outras instituições.

Grossman é diplomada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Possui mestrado em História da Arquitetura pela Université de Paris 1 Panthéon-Sorbonne, doutorado em História e Teoria da Arquitetura pela Princeton University, e pós-doutorado pelo Center for Advanced Studies in Architecture da ETH Zürich. Antes de assumir a posição na TU Delft, Grossman lecionou na University of Miami, na Princeton University, e na École Nationale Supérieure d’Architecture de Versailles.

Websites relacionados
http://www.grahamfoundation.org/grantees/5952-everyday-a-discreet-power-in-architecture
http://bienaldearquitetura.org.br
http://www.grahamfoundation.org/grantees/5404-a-concrete-alliance-modernism-communism-and-the-design-of-urban-france-19581981

Lecture for the seminar series Common architecture in the condition of the interior

Lecture by VANESSA GROSSMAN
In conversation with CAUÊ CAPILLÉ


LINK TO ACCESS THE LECTURE

Abstract:
Marxist attitudes towards social transformation and historical action have dominated conversation within the French left since 1945, and have played an important role in shaping political and cultural debates. However, these shared ideals and language also had a concrete effect on the built environment: they allowed architects and urban planners to collaborate with political leaders, mayors and public officials affiliated with the French Communist Party (PCF) around the idea of “city” as a common project, embodying both a means of utopian thought and a unity of governance and design. As the most effective field of action for French communism was, and still is, the municipal level of government, these architects helped to plan cities around a particular communist lifestyle, and to affirm the centrality in post-war French cultural life of the PCF, which was the main Western communist party in the 20th century, alongside the Italian.

This lecture will address the urban renewal project that Renée Gailhoustet, one of the only female architects of her generation, designed with Jean Renaudie for the historic center of the city of Ivry-sur-Seine, one of the bastions of the so-called Parisian banlieue rouge, considered as the “capital of French communism.” Planned to modernize a decaying urban fabric, the project translated the intention to combine, in a three-dimensional way, elements that make up the city. Housing towers and mixed-use reinforced concrete mega-structures, connected by pyramidal structures defining green - or “ecological” terraces avant la lettre - blurred the boundaries between public and private in Ivry. Incorporating the lessons of French colonial architectural experiences and the new demands for participatory democracy and self-management, Ivry's urban renewal lasted almost 25 years, covering the period before and after the May 1968 movement and the challenges then arising when the crisis of representation of the working class created a split between architects and communist leaders. Gailhoustet and Renaudie's projects for Ivry echoed the geopolitical mentality of the end of the Cold War, in which the world, the city, and society in general began to organize themselves through different poles or groups, which defined a kind of ultimatum for communism.



About Vanessa Grossman: Vanessa Grossman is an Assistant Professor at the Faculty of Architecture and the Built Environment at Delft University of Technology (TU Delft). Grossman is an architect, a historian of modern and contemporary architecture, and a curator whose research focuses on architecture’s intersections with ideology, power and governance, with a special focus on global practices in Cold War era Europe and Latin America. Her forthcoming book examines the remarkable flurry of architectural activity that resulted when the French Communist Party (PCF) became a patron for the designs, discourses, and organizational efforts of a distinguished circle of modern architects, which found their most fertile terrain in the formerly industrial peripheries of France’s major cities, the banlieue.

Grossman was the assistant curator of Modernity, Promise or Menace?, the French Pavilion at the 14th Venice International Architecture Biennale (2014), which received a special mention from the jury. She was the cocurator of Une architecture de l’engagement: L’AUA (1960–85) at the Cité de l’architecture et du patrimoine in Paris (2015–16), and of the 12th International Architecture Biennale of São Paulo, titledTodo dia/Everyday (2019).

Grossman has published in a number of edited volumes and journals worldwide, including L’Architecture d’aujourd’hui, archithese,Delphi, Volume, werk, bauen + wohnen, as well as a number of books, such as the coauthored Everyday: A Discreet Power in Architecture(Ruby Press/Graham Foundation, forthcoming 2021); Oscar Niemeyer, un exil créatif (Éditions du patrimoine, 2020); AUA, une architecture de l’engagement, 1960–1985 (Éditions Dominique Carré/Cité de l’architecture et du patrimoine, 2015), and La modernité, promesse ou menace ? France 101 bâtiments 1914-2014 (Éditions Dominique Carré/Institut français, 2014). She is also the author of Le PCF a changé! Niemeyer et le siège du Parti communiste (1966–1981) (Éditions B2, 2013) andA arquitetura e o urbanismo revisitados pela Internacional situacionista(Annablume/FAPESP, 2006), which was awarded the 8th Young Architects Critical Essays Prize from the São Paulo Department of the Institute of Architects of Brazil. She has been a recipient of the Carter Manny Award from the Graham Foundation for Advanced Studies in the Fine Arts, and the Chateaubriand Fellowship in Humanities and Social Sciences from the Embassy of France in the United States, and of other grants from the Graham Foundation, the Canadian Centre for Architecture, the Swiss Federal Institute of Technology in Zurich (ETH Zürich), the Institut français, the Princeton University Program in Latin American Studies, the Région Île de France, the São Paulo Research Foundation (FAPESP), and the Gastão Vidigal Foundation, among other institutions.

Grossman holds a professional diploma in Architecture and Urbanism from the University of São Paulo, a master’s degree in History of Architecture from Paris 1 Panthéon-Sorbonne University, and a PhD in History and Theory of Architecture from Princeton University. Prior to TU Delft, she was a postdoctoral research fellow at the Center for Advanced Studies in Architecture at ETH Zürich. Grossman has taught at the University of Miami, Princeton University, and the National School of Architecture of Versailles.

Related websites
http://www.grahamfoundation.org/grantees/5952-everyday-a-discreet-power-in-architecture
http://bienaldearquitetura.org.br
http://www.grahamfoundation.org/grantees/5404-a-concrete-alliance-modernism-communism-and-the-design-of-urban-france-19581981








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Programa de Pós-Gradução em Urbanismo

FAUUFRJ

Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro